Illustration credit: Vecteezy

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Pescaria no Rio Araguaia - Pai, filho e os Gigantes Bagres de Goiás

Olá, amigos e leitores!
Quem pesca sabe: por vezes, a busca por uma captura torna-se um sonho - e efetivar essa captura, uma realização. E foi em busca da realização desse sonho que nossa equipe partiu, mais uma vez, rumo ao Rio Araguaia, nas proximidades do município de São Miguel do Araguaia - GO.

De novo e de novo, Araguaia

Exatamente um ano após nossa pescaria em maio de 2012 no mesmo local, eu (Pedro Daher) e meu pai (Hilton) decidimos retornar. Apesar das grandes capturas no ano anterior, o sonho da piraíba, a gigante prateada das águas do Corgão, insistia em não aparecer.
Em 2012, pudemos ver várias piraíbas fisgadas por outros pescadores, a semana parecia perfeita - bagrões atacando vorazmente, cardumes bem localizados e águas no nível ideal. Mas, retomo aqui a frase que encerra o relato de tal pescaria: "talvez - ainda - nos faltasse fé". Tudo acontece quando e como deve acontecer.
Dessa vez, a pescaria seria de pai e filho - e a estrada a ser percorrida, longa.
Saímos de Passos - MG numa fria manhã de maio de 2013, acompanhados de um primo, que iria conosco até Uberlândia - MG - cidade da nossa primeira parada. O sol já apontava no horizonte quando seguimos viagem. 


Seguimos viagem rumo ao cerrado goiano, e após muito chão - os famosos retões de Goiás -, alcançamos a cidade onde pernoitaríamos: Cidade de Goiás, terra natal da escritora Cora Coralina, antiga capital e uma das mais belas cidades do estado. 

Outra curiosidade do local é a presença do Rio Vermelho, famoso afluente do Araguaia, cortando o centro histórico da cidade. O ponto é conhecido pela quantidade de exemplares de bryconídeos (peixes do gênero das matrinxãs) que residem abaixo da ponte principal.
Como é de se imaginar, a pesca, mesmo que esportiva, é proibida no local. Mas isso não nos impediu de apreciar um pouco dessa beleza natural - o que aumentou nossa ansiedade para esticar as linhas. Foi como uma bela despedida, um até logo à bela cidade goiana. 


Reencontros e esperança

Após uma noite de descanso na Cidade de Goiás, seguimos viagem rumo a São Miguel do Araguaia.
Surpreendentemente, a viagem foi rápida e tranquila, devido a reformas feitas nas estradas - que, se no ano anterior estavam literalmente detonadas, nesse ano estavam impecáveis. Reconhecimento merecido ao governo do estado.

De São Miguel do Araguaia, seguimos para nosso destino final: Luiz Alves, o distrito de São Miguel que margeia o Rio Araguaia, há 45 km do centro da cidade.
Nossa opção de hospedagem foi o Hotel Beira Rio, administrado pelo amigo e parceiro Raimundo Vieira. Com quartos confortáveis, contando com televisão, geladeira e ar condicionado, fomos muito bem hospedados. Um local agradável que atende às necessidades de descanso após um desgastante dia de pesca.

Como a ansiedade era grande, peguei a primeira tralha que consegui arrumar e segui para o porto, em frente ao hotel. O objetivo? Arranhar uns spinners... Não preciso nem dizer que era um arremesso, duas ações... 

A noite seguiu ainda mais animada, com direito a um churrasco com os amigos pescadores de Patos de Minas - turma do Webim - que conhecemos no ano anterior. Enquanto eles encerravam a pescaria deles, nós iniciávamos a nossa. Deixo aqui meu obrigado a cada um deles!

Como pescaríamos com um dos guias que pescaram com eles - Tatinha da equipe Só Piraíbas -, o resultado da pescaria deles influenciaria nas nossas estratégias. As informações que tivemos foram abundância de cardumes, muitos peixes de escama, pirararas esporádicas e piraíbas simplesmente desaparecidas do rio, sem relatos de capturas na última semana.
Mesmo assim, não desanimamos. Bora começar a pescar!

Manhã que supera expectativas

No outro dia, bem cedo, eu e meu pai já estávamos no barco do Tatinha, a tempo de apreciarmos o lindo nascer do sol no Araguaia. 

Começamos buscando algumas matrinxãs e palmitos para usarmos de isca para os peixes de couro de grande porte, e também para almoçarmos. 
Vale aqui uma observação: tanto o nosso grupo quanto os com os quais conversamos notaram um aumento significativo na quantidade de peixes do Araguaia, e a responsabilidade foi atribuída de forma unânime à Lei 17.985/2013 de Goiás, ou Lei da Cota Zero, que proíbe o transporte de peixes no estado. O pescador ainda pode consumir determinadas espécies que não são protegidas por lei, mas apenas no local da pescaria e seguindo as medidas mínimas e máximas. Um importante passo para o desenvolvimento do pesque-e-solte no país. 
Acabamos sendo surpreendidos, pois não demorou muito e já estávamos com bons peixes fisgados. 



Iscas e almoço garantidos, partimos para a pesca dos peixes de couro. Optamos por iniciar nas pirararas, que estavam sendo fisgadas em maior frequência. A pescaria desse peixe é realizada em poços nas margens e próximos a galhadas, que são os ambientes preferidos da espécie, ao contrário das piraíbas, que preferem os baixios, canais dos rios e confluências de águas - mas, como pescaria é sempre uma caixinha de surpresas, tais peixes podem naturalmente dividir o mesmo espaço. 
Linhas soltas, barco apoitado, carretilhas nas secretárias, e, logo no primeiro ponto, minha vara envergou. Fisgada firme, corrida rápida e a chumbada sobe! Sinal de peixe bom, o Tatinha canta a pedra: "É piraíba! Não é grande, mas já é um filhote!".
Inacreditável! Vários dias caçando esse peixe em épocas propícias, e logo no primeiro ponto em uma semana em que tudo parecia conspirar contra, o sonho estava na ponta da linha!
Peixe cansado, já quase brotando na superfície, passamos ao lado de uma galhada e o Tatinha toca o barco para longe. Tarde demais, o peixe já havia se enroscado.
Tentamos de toda forma desenroscá-lo, inclusive chegamos a pegar a linha depois do enrosco e emendá-la, mas quando o peixe deu a última arrancada, o nó improvisado não resistiu e a linha estourou. Fazer o quê, só nos restava ter fé e continuar pescando...
Ponto seguinte, mais uma ação, e na minha vara, de novo. Agora, a briga mais pesada e lenta, indicava claramente uma pirarara. Parecia que a sorte estava ao meu lado. Ou não - de novo, perdemos o peixe para os enroscos.
E pela terceira vez consecutiva, a história se repetiu. Mais uma pirarara perdida, 3 a 0 para os bagrões... Ao menos estávamos tendo ações, bora continuar!
Como meta, ainda antes do almoço, queríamos embarcar uma pirarara. E foi no último ponto, praticamente em frente ao distrito de Luiz Alves, que realizamos tal proeza. Após botos e piranhas tomarem nossas iscas, o Tatinha arremessou um equipamento mais leve com uma cabeça de curimba no anzol, e acertou a fisgada na boca de um bom peixe! 

Como o local era mais profundo e relativamente distante das galhadas, eu pude brigar tranquilamente com o exemplar e sem soltar o barco. Mesmo assim, precisei de fazer muita força para o pequeno, porém primeiro, exemplar pranchear. 


Meta concluída, em menos de quatro horas de pesca quatro ações significativas e o primeiro peixe embarcado - e logicamente solto em seguida! 



Pai, filho e pirarara

Após o almoço, voltamos animados para o rio. Exploramos basicamente os mesmos pontos da parte da manhã, porém dessa vez com muitas ações de botos e piranhas, e nenhuma dos nossos objetivos principais. 
Somente no fim da tarde é que a vara envergou com propriedade e a corrida indicava peixe grande! O exemplar nadou para o meio do rio, confirmando ser já bem maior que a primeira captura. 


Pescaria entre pai e filho, nada mais justo do que dividirmos a briga com o primeiro exemplar digno de ser chamado de troféu da pescaria! Confiram no vídeo essa emoção: 
Enfim, a grande pirarara embarcada e solta! Um saldo excelente para um primeiro dia de pesca numa semana que não prometia muita coisa... 




Mesmo com os braços cansados, ainda tivemos fôlego para buscar algum peixe de couro de menor porte em uma das muitas praias do Araguaia. Não encontramos as cacharas, nossos objetivos naquele momento, mas fisgamos alguns jurupenséns ou bicos-de-pato, peixes que deram por encerrado nosso primeiro dia de busca pelos grandes bagres do Araguaia. 

Gigantes atrás dos cardumes

Dia seguinte, esperanças renovadas. A estratégia escolhida foi a de explorar com os equipamentos pesados os poços mais profundos por onde passavam cardumes de peixes como piaus e matrinxãs, e onde provavelmente as pirararas e piraíbas estariam buscando alimento. Enquanto isso, passaríamos o tempo fisgando os peixes de escama com equipamentos mais leves.
E não demorou muito para fisgarmos algumas matrinxãs usando filé de curimba como isca, num cardume rente às margens de uma região conhecida como Castor, bem próxima do distrito. 


Enquanto eu soltava o exemplar acima, um susto. Uma das carretilhas pesadas cantou alto, vara deitada no limite e peixe levando linha sem parar. Não, nem de longe parecia uma pirarara, muito menos uma piraíba "filhote". Com certeza era o peixe de nossas vidas.
O Tatinha fisgou, o peixe continuou, o guia me passou a tralha e deu as ordens: Dá umas chasqueadas que esse peixe ainda não sentiu o anzol nem correu direito! 
E foi o que fiz, dá-lhe fisgadas! Aí sim a carretilha cantou de vez, chegou a sair fumaça. Os quase quinhentos metros de linha no carretel aos poucos iam sumindo...
De repente, a linha bambeia um pouco, mas ainda tensionada e com sinal de peixe. Tatinha, experiente, afirma que o peixe estava subindo o rio e provavelmente achou alguma galhada. O coração gelou.
Recolhemos toda a sobra de linha e começamos a luta para conseguir "pescar" a linha acima dos enroscos, cortá-la e enfim dar continuidade à briga.
Foram vários minutos, que mais pareciam horas, e quando achávamos que o peixe já havia escapado, eis que ele resolve sair do meio dos enroscos e dar uma última corrida. Sentimos de novo o peixe na linha, achamos que enfim o troféu apareceria...
Mas não foi o que ocorreu. Para nosso espanto, essa última corrida foi forte o suficiente para estourar o cabo de aço, deixando-nos atônitos. Não era possível, nenhum outro barco no rio havia fisgado alguma piraíba, e o nosso que havia encontrado várias, não conseguiu retirar nenhuma da água.
Poderia ser o peixe de nossas vidas, mas ficou para a próxima. Bola para a frente, pescaria é assim.
Novas iscas, mesmo ponto. Em menos de dez minutos, outra ação, tão forte quanto a anterior, mas mais pesada e mais lenta, indicando possivelmente uma grande pirarara.

O palpite foi confirmado quando a gigante enfim apareceu próxima ao barco, mas ainda com muito fôlego para nos presentear com belas imagens e explosões dignas de molhar a câmera: 


Finalmente, o peixe se cansou, foi embarcado e colocado no meu colo! Uma pirarara enorme, digna de uma sessão de fotos evidenciando as lindas cores da espécie.




O restante do dia foi novamente em busca da piraíba, o troféu de prata que insistia em não aparecer. Enquanto a aguardávamos, arremessávamos os equipamentos mais leves com iscas vivas para fisgar os peixes de escamas encardumados, com destaque para a dourada ou apapá - espécie que, quando em cardume, como no caso em questão, propicia muita emoção e diversão para os pescadores, com ações incessantes.
Ainda tivemos mais algumas ações de prováveis piraíbas, mas que apenas lixaram as iscas vivas e não encostaram nos anzóis - sinal evidente de que os peixes estavam manhosos...



A Rainha de Prata

Terceiro dia de pesca e a busca incessante pela piraíba continuava. Dessa vez, a estratégia foi de capturar algumas matrinxãs para serem utilizadas como isca.
A pescaria dos grandes bagres é, por si só, envolvente em cada passo, de forma que até a captura das iscas se torna um momento muito divertido. Não preciso nem dizer que as fisgadas foram fartas quando encontramos um cardume se alimentando...



No meio de tantas matrinxãs e até algumas curimbas, uma surpresa - ou melhor, duas! Varas envergadas, brigas pesadas, diferentes e com corridas intensas e progressivas até nos fizeram cogitar um dublê de arraias. Mas o dublê foi de dois belos barbados para nos animar mais ainda! 

E foi no meio dessa pescaria de iscas na região da confluência do Araguaia com o grande afluente Rio Crixás, ou apenas "Barra do Crixás", alguns quilômetros acima de Luiz Alves, que avistamos uma piraíba pular inteira para fora da água - comportamento comum da espécie quando ela se estabelece em um poço ou ponto para caçar comida, e acredita-se que faça isso também para tentar eliminar algum candiru que entra em suas brânquias. Era o peixe que desejávamos, ele estava lá, bastava ir atrás. E foi o que fizemos.
Soltamos as iscas no poço onde o peixe havia pulado, abrimos os guarda-sóis para nos protegermos do intenso sol goiano, e aguardamos. Como de praxe, os peixes pequenos animaram a espera - dessa vez, meu pai fez a festa com os mandubés.


Por mais de duas horas, nenhuma ação nas varas mais pesadas, e meu pai e o Tatinha já cogitavam mudar de ponto. Porém, tudo acontece como deve ser, o peixe estava manhoso mas não era impossível fisgá-lo.
Confesso que nem pensei no fato acima quando resolvi comer uns biscoitos antes de mudarmos de ponto, e ainda dizer: Pescaria de piraíba é assim mesmo, tomar sol no meio do rio e muita paciência. 
Mas foi tal decisão que nos fez ficar um pouco mais no ponto, até que a vara que estava com o guia envergou levemente e ele disse: Eu disse que o peixe estava aqui, acabou de lamber a isca! 
Hábito comum da piraíba quando está manhosa, ela normalmente volta na isca após uns dez ou quinze minutos, tempo que decidimos gastar ali. Mas não foi necessário, em menos de um minuto a vara desceu lenta e continuamente, enfim a fisgada! Tatinha confirmou e me passou a vara, barco solto e briga iniciada.
Corridas rápidas e curtas na superfície e o peixe já mostrando sua nadadeira caudal centenas de metros rio abaixo e na ponta da linha indicavam um exemplar não tão grande, mas ainda assim era a piraíba, o sonho enfim fisgado!
Dessa vez, a briga era no canal do rio, numa região sem galhadas, o que tornava baixíssimas as chances de perder o exemplar em alguma galhada, o que nos tranquilizou e nos permitiu brigar com tranquilidade - nesse caso, todos do barco batalham com a piraíba, é uma briga exaustiva devido ao tamanho e força do peixe e à quantidade de linha solta a ser recolhida.
E claro que não poderíamos deixar de registrar a briga e a soltura da piraíba!


Embarcamos o exemplar e seguimos para uma praia na margem para fazermos os registros fotográficos e depois soltá-lo recuperado.


A linda piraíba, ainda um filhote para a espécie, cravou exatos 143 cm. Uma marca que sem dúvida ficará em nossas memórias eternamente.


Independentemente do tamanho, fisgar uma piraíba é a realização do sonho máximo de um pescador de peixes de couro. No meu caso, um sonho de infância agora em meus braços foi uma das sensações mais incríveis que já senti em anos de pescaria.
O relato dessa pescaria também foi publicado no site da Revista Pesca Esportiva, e o destaque da foto na edição 216 de outubro de 2015 da revista. 


Não preciso nem dizer que o resto do dia foi dedicado a apreciar o Araguaia, rio que ensina e presenteia, além de exibir sua preservada e exuberante beleza literalmente natural. 


O Troféu do Meu Velho - Um capítulo à parte

Embora a pescaria já tivesse superado nossas expectativas e o sonho realizado, ainda faltava uma captura para tornar tudo perfeito: o troféu do meu pai.
Ele, um apaixonado por pirarara, queria fisgar um exemplar na vara dele, e tinha que ser na vara dele! Exigência difícil de ser cumprida? Que nada!
No fim da tarde, voltando para o distrito, o Tatinha garantiu que faríamos nossa captura. O ponto escolhido foi um canal raso com muitas galhadas na margem, e o horário era propício.

Não demorou muito para que a vara do meu velho envergasse no limite! Fisgada forte, peixe respondendo com uma corrida intensa rumo às galhadas e riscando as águas rasas enquanto tentava se livrar do anzol.
Pensamos que seria fácil dominar o exemplar e nem soltamos o barco, até que a carretilha, mesmo sendo adequada para tal pescaria, simplesmente travou! O peixe aproveitou de tal momento para se enroscar nos saranzais da margem, e foi aí que enfim soltamos o barco.
Devido à correria para não perder o peixe, não conseguimos filmar a briga, mas o que importa é que conseguimos desenroscá-lo até com certa facilidade, apenas forçando para que ele virasse a cara, e embarcamos o exemplar! Uma linda, forte e colorida pirarara, o peixe que faltava, exatamente como Meu Velho queria!



Se o registro da briga não foi possível, o vídeo da soltura dessa fera nós fizemos questão de fazer!


Em três dias de pescaria, tínhamos fisgado tudo o que sonhávamos e mais! Tudo acontece como e quando deve ser. Se antes talvez nos faltasse fé, agora a tínhamos de sobra. Araguaia, rio que ensina. Mais uma vez foi meu professor, ensinando a enxergar a pescaria, a vida com mais leveza, a ver de verdade. Sem obsessão, uma segunda chance. Sem obsessão, sonhos realizados.

100% na superfície

Quarto dia de pesca, hora de diversificar. Decidimos entrar no Lago da Montaria, um lago de fácil acesso e muito conhecido na região. Minha meta era pescar apenas com iscas de superfície, basicamente usando pequenos poppers com hélices.
Acabamos encontrando o lago mais cheio do que imaginávamos, o que complicou um pouco a busca pelos peixes. 

Só que o Araguaia não decepciona. E acabamos encontrando um cardume de aruanãs nadando bem na superfície, o que nos rendeu belas ações. Infelizmente, nenhum peixe embarcado, mas explosões e saltos que ficarão registradas eternamente em nossas mentes. Além das aruanãs, várias piranhas-vermelhas, algumas enormes, resolveram atacar as iscas de superfície. 
Mas foi já na saída do lago que eu consegui a explosão desejada. Paramos o barco para pegarmos algumas iscas vivas, e eu simplesmente coloquei o popper na água, com apenas uns 50 cm de linha para fora da carretilha, e fiz barulho com a isca para tentar atrair alguma piranha, passar o tempo mesmo. Só que fui surpreendido por um lindo tucunaré que saiu do meio da vegetação, atacou a isca com uma voracidade impressionante e saiu tomando linha e saltando diversas vezes. Afrouxei a fricção e trabalhei devagar, esse tinha que sair para as fotos - e saiu! Um grande amarelo do Araguaia, o legítimo rei dos lagos.


Após a empreitada no lago, fomos almoçar na beira do rio. Almoço típico com sabor de pescaria: peixe na brasa, arroz e tomate, e muita amizade. Acabamos acompanhando uma turma de amigos pescadores, a mesma que havia capturado a grande piraíba mostrada no relato da pescaria do ano anterior no mesmo local. Curiosamente, dessa vez, ao contrário do ano anterior, eles não estavam tendo sucesso na pesca dos grandes bagres - tudo acontece como e quando deve acontecer...

Na parte da tarde, mais fisgadas na superfície. Dessa vez, buscamos as cachorras-facão e douradas, utilizando tanto iscas vivas deixadas na superfície por pequenas boias de arremesso quanto pequenos sticks e plugs de hélice de até 8 cm de comprimento. Em ambas as modalidades, os peixes explodiram na superfície!





Enquanto isso, as varas pesadas continuavam na água. Porém, como tudo acontece nos modo e momento exatos, não obteríamos mais sucesso nessa modalidade nos dias seguintes - tivemos algumas ações e até peixes perdidos, mas nenhum embarcado... De qualquer forma, já havia valido a pena.
E no meio dessa espera, mais douradas, algumas enormes! Sem dúvida, uma pescaria extremamente esportiva e divertida, peixes coadjuvantes que se tornam protagonistas de uma viagem que, se por si só já valeria a pena, regada a sonhos concretizados, havia ganhado o título de perfeita, de pai e filho.
E o dia continuou dourado até o sol desaparecer.


Nas praias do Corgão

Quinto dia de pescaria, mais uma vez tentaríamos uma pescaria diferente. A estratégia da vez era descer o rio pela primeira vez na semana e explorar a pescaria ao redor das diversas e famosas praias do Araguaia. 
No percurso, a bela Natureza de sempre que o Corgão nos presenteia e nos permite admirar durante todo o tempo em que ousamos navegar por suas águas. 


Beira de praia, primeiro ponto. Linhas dos equipamentos leves na água, usando isca de minhoca. E não demorou muito para que fisgássemos espécies que até então não tinham aparecido.
Primeiro, meu pai fisgou uma cachara já de bom porte para os padrões do Araguaia, e em seguida, quase que fazendo um dublê, fisguei um exótico e forte armau, o primeiro da minha vida. 


Seguimos explorando os poços profundos atrás de grandes bagres durante o dia, mas não obtivemos nenhuma ação.
A expectativa alimentada era para o fim de tarde, em que caçaríamos mais peixes batendo nas beiras de praia, usando no anzol iscas vivas ou filés de peixe à deriva. E enfim chegou a hora de realizarmos tal pescaria.


Nessa modalidade, as ações são fartas. Realmente não dá para saber o que vai entrar, e as brigas são sempre muito divertidas. (Confesso que meu desejo era fisgar uma bargada ou surubim-chicote, mas esse peixe insiste em fugir de mim, fica para a próxima...) 

Segundo os guias, é dessa forma que são fisgadas as maiores cachorras-largas do Araguaia - fato que pudemos confirmar no ano anterior -, e realmente fisgamos um belo exemplar. 

Entre matrinxãs, cachorras e até bicos-de-pato, o astro da pescaria em beiras de praia no Araguaia demorou a aparecer, mas nos últimos instantes de pescaria ele achou a isca: a cachara! 

Premiados pelas diversidade e fartura do Araguaia e satisfeitos pelos resultados, ainda tínhamos energia para um último dia. 

Despedida Dourada

No sexto dia de pesca, escolhemos repetir a pescaria com iscas naturais nos cardumes de apapás - ou douradas - e cachorras-facão enquanto aguardávamos algum peixe de grande porte. E as fisgadas foram fartas. 



Era só arremessar e esperar, às vezes os peixes atacavam a isca logo quando essa batia na água. Entre saltos, corridas e explosões, muitos dublês e até triplês, como o que registramos: 


Foram tantas fisgadas que as iscas simplesmente acabaram, então continuamos com iscas artificiais de meia-água de sete centímetros até a hora do almoço, o que nos garantiu mais fisgadas!


Na parte da tarde, com os braços cansados, resolvemos buscar apenas os grandes bagres, e acabamos tendo duas ações: uma suposta pirarara que se enroscou nas galhadas do poço e acabou escapando, e um peixe bem maior, provavelmente uma gigante piraíba, que correu muito e simplesmente abriu o anzol, deixando-nos perplexos.
Faz parte, tudo a seu tempo. Por ora, sonhos realizados. O Araguaia e seus gigantes estarão nos esperando para uma revanche. E o rio fez questão de se despedir de nós com o pôr do sol característico que faz jus à alcunha de poente mais belo do país, numa espécie de despedida a desejar boa viagem de volta - além de, é claro, um evidente convite ao retorno...

Por Pedro Daher

domingo, 23 de junho de 2013

Pesqueiro Matrinchã - Grandes fisgadas na Baixa Temporada

Olá, amigos e leitores!
Nossas últimas pescarias, na baixa temporada, foram realizadas no Pesqueiro Matrinchã de São Sebastião do Paraíso - MG, e mesmo com o frio da região, fisgamos belos exemplares.


Brincadeira na superfície

Nossa primeira pescaria foi realizada no fim de abril. Eu (Pedro), meu pai (Hilton) e meu amigo Lucas decidimos tentar alguns peixes no local, apesar da frente fria que atingia a região naquela semana.
Chegamos ao local às 13 horas, e tivemos a sorte de, nesse horário, o funcionário estar tratando dos peixes dos tanques-rede (chamados de "gaiolas" pelos frequentadores), pois é comum os grandes redondos do lago maior aproveitarem do momento e se alimentarem da ração que sobra. O clima nublado favoreceu a alimentação deles na superfície.
Como eu não gosto muito da pesca com boias cevadeiras - prática mais produtiva no lago esportivo -, acabei ficando por ali e aproveitando o frenesi dos redondos no resto da ração para arremessar uma pequena boia torpedo com chicote curto, anzol Maruseigo 16 e como isca ração na pinga do próprio pesqueiro.
Como os redondos desse lago são antigos e bem manhosos, a técnica tem que ser o mais sutil possível, como linhas de chicote mais finas e anzois menores. Isso fez com que eu perdesse alguns bons exemplares por abrir o anzol, estourar o chicote ou mesmo enroscar nas gaiolas após tomar muita linha da fricção mais aliviada. Mas com insistência na produtiva técnica, consegui trazer uma caranha para as fotos, após uma bela briga com direito a entrada no lago para desenroscar a linha do tanque-rede.



Foi a última ação que tivemos naquele lado do lago, mesmo continuando com a ceva os peixes pararam de subir. Então, fomos para a margem oposta tentar alguma captura.
Lá, o Lucas arriscou a mesma técnica que eu utilizei para os tambas e acabou fisgando uma tilápia enorme na superfície - peixe este que eu segurei para as fotos.


Conversando com os funcionários, ficamos sabendo que no lago de cima (pesca por quilo de tilápias) havia alguns redondos, frequentemente fisgados por engano. Então, eu e meu pai decidimos tentar capturar algum, ele com uma pequena isca de meia-água e eu com o mesmo esquema de boia torpedo e ração.
Por incrível que pareça, arremessamos juntos e assim que as iscas bateram na água, duas explosões denunciavam um dublê de tambacus. Após uma boa briga, o peixe do meu pai prancheou, mas como o pesqueiro já estava fechando, fizemos o registro com a câmera do celular e o soltamos rapidamente.


O meu peixe já era um exemplar de porte maior, que não se entregou tão fácil, e quando eu resolvi forçar um pouco mais, ele estourou a linha. Tudo bem, encerrou a pescaria com um convite ao retorno. 

O dia dos bagrões

Algumas semanas depois, já em maio, novamente retornei ao local, dessa vez com meus amigos Júlio e Marcos. Mais uma vez, só começamos a pescar na parte da tarde. Dessa vez, ficamos no aterro que separa o lago das gaiolas do lago de pesca por quilo (ao lado da Casinha de Ração). Nosso foco eram as tilápias, então insistimos na pescaria de fundo com ração na pinga, sempre produtiva no local.
Após algumas capturas significativas, mas sem fotos, fomos surpreendidos por uma enorme traíra fisgada pelo Júlio nessa mesma modalidade, captura um tanto quanto inusitada.


Como, na pescaria anterior, tive sucesso com os redondos das "gaiolas" mesmo com as baixas temperaturas, decidi tentar algum novamente, mas utilizando como isca o pão de queijo de fundo, muito produtivo no Verão.
Não foi preciso esperar muito até que o primeiro peixe batesse e se enroscasse em um tanque-rede, estourando tudo. Tivemos outras ações sem sucesso, inclusive com um exemplar levando toda a linha da carretilha e estourando no nó, até que a produtiva isca acabou.
Então, ao nosso lado um grupo de pescadores começou a pescar e pediu para que déssemos a eles algumas das tilápias pequenas que capturamos ao longo do dia para usarem como isca. Eles as iscavam vivas em anzóis grandes (creio que de tamanho 5/0 ou 6/0) e simplesmente soltavam a linha paralelamente ao aterro. E era incrível, a espera durava menos de dois minutos até o ataque de alguma grande pincachara.
Vendo isso, resolvi tentar a mesma técnica na modalidade de pesca esportiva, mas usando uma boia para ver o peixe atacar na superfície. Não demorou muito para ter um desses bagres na ponta da linha após um belo bote no visual, e com um equipamento leve a briga foi intensa.

Acabei dividindo a briga com o Marcos, até o exemplar já de bom porte entrar no puçá, e assim podermos fotografá-lo. 


Os pescadores ao nosso lado haviam usado todas as tilapinhas, então acabamos perdendo muito tempo tentando fisgar alguma com o tamanho ideal para ser isca, até que, já no fim da tarde, consegui retornar à pesca das pincacharas, dessa vez usando um equipamento mais pesado.
A espera foi maior, mas quando o peixe atacou e saiu tomando linha, percebemos ser um grande exemplar.

Por usar uma tralha adequada, pude brigar mais tranquilo, até fazer o bagrão se cansar e poder colocá-lo no colo. Aí sim tivemos noção do seu tamanho, uma pincachara enorme solta após as fotos que veio para fechar com chave de ouro nossa rápida pescaria. 

O dia dos redondos

Na semana seguinte, eu e o Júlio retornamos ao pesqueiro, dessa vez acompanhados do meu primo Luiz Flávio. Enfim, a frente fria começou a afetar a pescaria e os peixes estavam bem manhosos.
Mais uma vez, começamos a pescar às 13 horas, e tive tempo de arriscar algum redondo na ceva das gaiolas, mas devido ao clima frio, só subiram tilápias, e mesmo assim, bem manhosas.
Demorei muito até conseguir fisgar alguma, mesmo usando uma montagem na superfície bastante discreta. Mas quando fisguei, foi logo um exemplar de bom porte.

Quando já estava desistindo da ceva, vi dois grandes tambacus se alimentando dos restos de ração que se acumularam na margem, e arremessei um pouco à frente deles, deixando o vento arrastar minha isca para junto das sobras, e como era de se esperar, um deles acabou atacando minha isca lentamente. Deixei ele carregar um pouco para então fisgar, tendo como resposta uma corrida pesada rumo aos tanques-rede. Então, travei o carretel com o dedo para segurar o grande exemplar, mas o pequeno anzol não aguentou a pressão e quebrou, deixando o troféu do dia escapar. 
Quando nos demos conta, já era fim de tarde, então resolvemos tentar os redondos do lago de cima (pesca por quilo de tilápias) para salvar o dia de pesca. O Júlio e o meu primo optaram por pescar de fundo com coquinho, que conseguimos na cidade de São Sebastião do Paraíso, em uma praça a caminho do pesqueiro. Como os tambas desse lago são peixes novos, não há problemas em se usar cabos de aço, assim evitando que eles cortem a linha.
Não demorou muito para meu primo tirar o primeiro, que mesmo pequeno rendeu uma boa briga e fez o molinete cantar.

Poucos minutos, o molinete do Júlio também cantou e dessa vez, o peixe parecia ser maior. Foram necessários vários minutos de briga e até uma volta no lago para cansar o exemplar. 


Eu acabei não fisgando nenhum peixe nessa modalidade, mas enquanto organizávamos os equipamentos para a partida, arremessei duas tralhas mais pesadas com pão de queijo de fundo no lago das gaiolas. Quando percebi, as duas estavam com peixe na linha, e tive que sair correndo para conseguir fisgar.
Infelizmente, um dos peixes - que aparentava ser maior - já havia se enroscado nas gaiolas e estourado a linha, mas o outro correu para o meio do lago e propiciou uma briga limpa. era uma enorme caranha, o peixe que encerrou nossa rápida pescaria de redondos.


O Gigante das gaiolas

Após algumas semanas sem visitar o local, eu retornei com meu pai no final de junho, já em pleno Inverno. Também combinei de me encontrar lá com o João Pedro Mendonça, um amigo virtual que sempre pesca no Matrinchã, e que veio a se tornar membro da nossa equipe.
Assim que cheguei, embora estivesse muito frio e não houvesse notícias de capturas de grandes peixes nas últimas semanas, fiquei animado porque o funcionário estava indo tratar dos peixes dos tanques-rede mais cedo - e era exatamente a pescaria de ceva nas sobras das gaiolas que eu queria realizar.
Como já havia perdido grandes peixes pelo uso de equipamentos mais leves no local em pescarias anteriores, resolvi arriscar usar uma tralha mais pesada, mesmo com o risco de afugentar os manhosos tambacus do lago das gaiolas.
Creio que pelas baixas temperaturas, os redondos demoraram muito até começarem a subir. Optei por usar dois equipamentos; enquanto um deles eu mantinha em mãos e arremessava próximo aos peixes que subiam, o outro eu simplesmente deixava à deriva com a ração, destravado - e foi justamente no segundo que obtive a fisgada tão esperada.
Enquanto "caçava" os gigantes, arremessando a isca literalmente na cara deles, a linha do equipamento mais leve que estava destravado, no chão, começou a esticar. Reparei que a pequena boia torpedo havia afundado e fisguei, tendo como resposta uma corrida insana rumo às gaiolas. Num momento de desespero e sabendo que não conseguiria frear a corrida daquele peixe, o que me passou pela cabeça foi destravar o carretel para acalmá-lo. E foi isso o que fiz, obtendo o resultado desejado. O peixe simplesmente começou a nadar para a margem, e assim que eu recolhi uma quantidade considerável de linha, retomei a briga, agora mais tranquilo.
Então, mesmo sozinho, consegui colocar a câmera filmadora no tripé para filmar; o restante da briga vocês acompanham abaixo.



Esse foi o meu recorde pessoal de tambacu até então, mesmo sem pesá-lo ou medí-lo, é perceptível que era maior que todos os que eu havia capturado até então.


Assim que eu soltei o gigante, me encontrei com o João Pedro, e seguimos para o aterro ao lado da Casinha de Rações, pois lá poderíamos pescar nos dois lagos.
Começamos a cevar no lago das gaiolas e algumas pincacharas subiram. Claro que não demorou muito para o João fisgar seu exemplar usando ração na pinga flutuante com anzol atado direto na linha.


Mas essa foi a única que conseguimos fisgar, pois após sua soltura mais nenhum exemplar subiu para comer. Então, ele preparou um equipamento com boia cevadeira, chicote de um metro, boia guia e ração na pinga no "palminho" (isca a um palmo de profundidade). E foi assim que tiramos mais alguns pequenos redondos do lago de cima.

Enquanto pescávamos, um garoto veio falar conosco e pedir algumas dicas. Era o Gabriel, pescador de São Sebastião do Paraíso que acabou se tornando um grande parceiro de pescaria. Apesar de já ter capturado os bagrões do Matrinchã, ele queria capturar seu primeiro tambacu, e por isso solicitou nossa ajuda.
Passamos grande parte da manhã tentando com boias cevadeiras, mas sem mais resultados. Já na hora do almoço, quando decidimos ir embora, um senhor que também encerrava sua pescaria nos ofereceu alguns coquinhos que haviam sobrado, e aí nossa sorte mudou.
Já no primeiro arremesso com essa isca, a vara do garoto envergou, mas o peixe não fisgou. Ele colocou um anzol um pouco maior (Chinú 2/0), arremessou novamente e em menos de cinco minutos a fricção do molinete cantou, anunciando ser na ponta da linha o peixe que ele desejava.
A alegria dele de fisgar e brigar com um tambacu, mesmo que ainda de pequeno porte, era contagiante, e não pude deixar de registrar o peixe que encerrou mais uma pescaria no "Matri", nas mãos do nosso novo parceiro.

Iniciando nas copadas

Após passar o mês de julho inteiro sem pescar, combinei com o pescador Rodrigo Marques, do Blog Reis do Lago (Franca - SP), de realizarmos uma pescaria com boias cevadeiras no início de agosto - época de muito vento e peixes manhosos - no Matrinchã, já que planejávamos uma viagem juntos para o ano seguinte e teríamos que nos aperfeiçoarmos nessa modalidade.
Além de nós dois, meu pai também fez sua pescaria, mas usando apenas iscas de meia-água, e fisgou enormes traíras no lago esportivo. Infelizmente, não foram fotografadas por não haver ninguém perto no momento das capturas.
Eu comecei pescando no lago das gaiolas, usando um chicote com alguns EVA's cor caramelo, e na ponta do anzol a ração do próprio pesqueiro. Alguns redondos até subiram e chegaram a refugar minha isca, mas estavam muito manhosos, e tudo o que consegui fisgar nessa modalidade foi uma enorme tilápia, meu primeiro peixe capturado "copando".


Assim que o Rodrigo chegou, começamos a cevar no lago esportivo. A montagem escolhida foi de anteninhas escuras - que segundo informações estavam sendo as mais produtivas - e chicote de um metro sem boia guia. 
Os peixes estavam muito manhosos, e só subiam quando recolhíamos as boias. Visto isso, resolvemos deixar na espera alguns equipamentos de fundo, usando como isca filé de camarão.
Perdemos muitas ações pela inconsistência dessa isca no anzol, mas o Rodrigo conseguiu acertar a fisgada em um exemplar já de bom porte, abrindo a contagem dos redondos.


Combinamos de pescar até a hora do almoço, pois eu teria que ir embora. Mas como estávamos fissurados em fisgar um grande tambacu na superfície, resolvemos insistir um pouco mais após almoçarmos.
Lembrando dos hábitos dos peixes na parte da manhã, disse ao Rodrigo para deixar a boia na água mesmo quando a ração já tivesse acabado, e foi o que ele fez. Ainda colocou a vara no chão e brincou que é sempre nessas horas que o peixe bate.
Não tivemos tempo nem de rir, e uma explosão na anteninha arrastou tudo para o fundo e esticou a linha. Fisgada firme, corridas pesadas e boia na superfície indicavam ser um grande peixe fisgado, rendendo a bela briga abaixo.

Era um belo tambacu que salvou o dia e nos deu boas emoções, mostrando o potencial do pesqueiro mesmo em dias frios. Foi o último peixe do dia, e também nossa última captura na baixa temporada do Pesqueiro Matrinchã.


Mesmo com condições adversas, o Matrinchã nos reservou belas surpresas e é um local que vem despontando cada dia mais como um dos grandes pesqueiros do Brasil.
Espero que tenham gostado.
Abraços!

Por Pedro Daher

Pesqueiro Rodriacqua - Surpresas entre o frenesi das matrinxãs

Olá, amigos e leitores!
Nossa última pescaria foi realizada em fevereiro desse ano, no Pesqueiro Rodriacqua (Pesqueiro do Cidão de Monte Santo de Minas - MG). Fomos em três: eu - Pedro  -, meu amigo Gustavo Santos e o Hilton, meu pai. Enquanto meu pai ficou próximo à casa de iscas para pescar tilápias, eu e o Gustavo ficamos no píer atrás de peixes maiores.

Logo que chegamos, pudemos notar uma grande movimentação de matrinxãs na superfície, o que nos sugeriu que elas estariam muito ativas. Foi só arremessar um equipamento usando pão de queijo no fundo que confirmamos nossas suspeitas e o primeiro exemplar saiu para as fotos.


Um funcionário do pesqueiro passou ao nosso lado tratando dos peixes com ração, e em menos de dois minutos um frenesi de matrinxãs começou a atacar. Entre elas, alguns redondos subiram para comer, então aproveitei a oportunidade e arremessei um pequeno pedaço de salsicha no meio do cardume e deixei afundar um pouco, até que veio a pancada. Como usava um equipamento leve, o peixe correu muito e fez o molinete cantar, rendendo uma bela briga. Ao pranchear, vimos que se tratava de um belo redondo - nosso troféu do dia. 


O sol estava forte e um óculos escuro fez muita falta - perceptível pelas minhas caretas nas fotos... 


Passado o frenesi, continuamos a pescaria usando pão de queijo no fundo e as fisgadas eram constantes. Eu e o Gustavo fizemos até um dublê com duas matrinxãs de bom porte. 



Quando percebemos, já era hora do almoço e estava ventando muito - condição que, no Rodriacqua, atrapalha até a pesca de fundo. Enquanto isso, meu pai capturou algumas tilápias pescando com varas lisas e massa do pesqueiro como isca; estas não foram fotografadas... 
Já no fim da tarde, as matrinxãs voltaram a comer com vontade e as capturas eram incessantes. Foi uma sequência impressionante até a hora de irmos embora, sempre usando pão de queijo no fundo.



Do outro lado do lago, havia um pescador capturando grandes dourados a todo instante. Assim que decidimos encerrar a pescaria e juntamos os equipamentos, resolvi passar por ele e pedir algumas dicas, mas coincidentemente eu já o conhecia de outras pescarias no local! O Luciano - esse era o nome do pescador - me explicou que estava usando tilapinhas vivas na boia cevadeira com chicote de uns 50 centímetros de profundidade, porque enquanto as matrinxãs atacavam a ração (o típico frenesi da espécie no local), os dourados caçavam um pouco abaixo e atacavam a isca viva.
Enquanto ele me passava essas dicas, arremessou a cevadeira no meio do lago e ela rapidamente afundou. Uma fisgada firme teve como resposta o salto do rei do rio, o dourado! Presenciamos a captura de um belo exemplar e ainda aprendemos mais uma técnica para ser usada no local em outras oportunidades. Muito obrigado, Luciano, encerrou nossa pescaria com ouro puro!

Espero que tenham gostado da nossa pescaria.

Por Pedro Daher